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terça-feira, 19 de novembro de 2019

Um lamentável recorde

Após 15 anos, Acre volta a registrar níveis recordes de desmatamento 

Área de floresta desmatada e incendiada em Assis Brasil (AC); os dois crimes cresceram no último ano em todo o Acre (Foto: Jardy Lopes)

O Acre volta a apresentar aumento recorde de desmatamento da Amazônia depois de 15 anos de redução dos níveis. De 2018 para 2019, a taxa de desmate da Floresta Amazônica dentro do território acreano cresceu 55%, saindo de 444 km2 no ano passado para 688 km2 neste.

O aumento registrado pelo Acre foi o segundo maior na Amazônia Legal, ficando atrás apenas de Roraima, cuja elevação foi de 216%. Em números absolutos, porém, a área desmatada no Acre foi maior que a de Roraima, que teve 617 km2 destruídos.

O Acre superou até mesmo os estados que, tradicionalmente, são campeões nas taxas de desmatamento na região: o Pará e o Mato Grosso: 41% e 13%, respectivamente.  Em toda a Amazônia, a elevação da área de floresta desmatada cresceu 30% de 2018 para 2019.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 18, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e vêm em meio a uma mudança de políticas públicas para a Amazônia - tanto por parte do governo federal quanto o estadual. Por parte da bancada de parlamentares em Brasília também há uma série de iniciativas para enfraquecer a legislação de proteção da Floresta Amazônica.


(Leia: A Bancada da Motosserra ataca)


Por aqui, a gestão Gladson Cameli (PP) tem um forte discurso voltado para o agronegócio, em detrimento das políticas de proteção ambiental e de valorização da economia florestal.

Em março, durante discurso no município de Sena Madureira (distante 170 km de Rio Branco), Cameli afirmou que os produtores rurais estavam desautorizados a pagar as multas aplicadas pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), “porque quem está mandando agora sou eu”.

“Quem for da zona rural, e que o seu Imac estiver multando, alguém me avise porque eu não vou permitir que venham prejudicar quem quer trabalhar. Avise-me e não pague nenhuma multa porque quem está mandando agora sou eu. Não paguem”, disse o governador.


(Leia também: Uma fala incendiária)  


A declaração foi vista como um gatilho para o incremento dos crimes ambientais praticados no Acre. Assim como o desmatamento, as queimadas registram alta neste primeiro ano de Gladson Cameli à frente do governo acreano. Entre janeiro e outubro de 2019 os satélites do Inpe detectaram 6.757 focos de calor no Acre; no mesmo período de 2018 foram 6.598: aumento de 2,4%.

Vale ressaltar que os níveis de impacto sobre a Amazônia no território do Acre - que mantém preservado 87% de sua cobertura florestal - são registrados desde 2018, último ano de mandato do petista Tião Viana. Os dados de desmatamento divulgados pelo Inpe abordam o período de agosto do ano passado a julho de 2019.

O Inpe analisa o desmatamento na Amazônia por satélites desde 1988. No Acre, em três décadas, a área total desmatada chega a 15 mil km2. O ano mais crítico neste período foi 1995, com 1.208 km. Desde 2003 o esta do não registrava níveis acima dos 1.000 km2. Em 15 anos, a área derrubada em 2019 só supera a de 2004: 728 km2.

Há exatos 10 anos o Acre registrou seu menor desmatamento na série histórica do Inpe: 167 km2. Em 2009 o estado era governado por Binho Marques (PT), cujas políticas de valorização da floresta estavam no centro dos debates.   


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