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terça-feira, 7 de abril de 2020

Aldeias protegidas

Exame para Covid-19 dá negativo em indígena Huni Kuin do Acre

Indígenas em embarcação às margens do rio Tarauacá; exame descartou Covid-19 em Huni Kuin que esteve no México (Foto: Fabio Pontes/2014)

@fabiospontes


A Secretaria de Saúde do Acre confirmou na manhã desta terça-feira, 7, que o resultado do exame para detecção do coronavírus em um indígena da etnia Huni Kuin deu negativo. Ele era apontado como o primeiro caso suspeito entre a população indígena do estado por ter feito uma viagem recente ao exterior e ter apresentado sintomas da Covid-19, como a falta de ar.

O caso chamou a atenção no fim de março por a prefeita de Tarauacá, Marilete Vitorino (PSD), ter exposto a situação do Huni Kuin, queixando-se das autoridades de Saúde de Rio Branco por ter permitido a viagem de uma pessoa suspeita de estar infectada, e por não ter feito a quarentena. Segundo a prefeita, ele  teria saído fugido da UPA de Rio Branco, o que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) nega.

O Huni Kuin de 44 anos mora em uma aldeia no município de Jordão.  Sua etnia também é conhecida como Kaxinawá, sendo a mais populosa entre os povos indígenas do Acre.

A Sesai e a Fundação Nacional do Índio (Funai) reprovaram a forma como a prefeita tratou a situação, expondo o indígena a uma situação de constrangimento. Para as duas instituições, o comportamento estigmatiza e provoca ainda mais atitudes preconceituosas contra a população indígena.

De acordo com Iglê Monte, coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Alto Juruá, ele deixou a UPA do Segundo Distrito (unidade indicada pela Secretaria de Saúde como referência para os casos da Covid-19), em Rio Branco, após receber o atestado médico de que não possuía sintomas da doença causada pelo novo coronavírus. A declaração foi assinada no dia 20 de março.

O Kaxinawá saiu de sua aldeia em Jordão no começo de fevereiro. Entre o dia 5 de fevereiro e 3 de março ficou no México. Ao voltar para o Brasil, esteve por quase 15 dias entre Santa Catarina e o Paraná, onde sentiu dores de cabeça e falta de ar por ser asmático. No dia 20 de março chegou a Rio Branco, procurando atendimento médico na UPA.

O indígena seguiu os procedimentos corretos ao procurar a unidade hospitalar por ter feito uma viagem ao exterior. Após receber a alta médica, ele seguiu viagem para Tarauacá (distante 408 km da capital) e, de lá, pretendia ir para Jordão, cujo acesso só é possível via fluvial ou aérea. Porém, por recomendação da Sesai, precisaria ficar em quarentena antes de voltar para a comunidade.

Enquanto cumpria seu isolamento social no hotel, o indígena voltou a sentir falta de ar, o que o levou a procurar o hospital de Tarauacá. Ao expor seu histórico de viagem mais a dificuldade de respirar, foi logo colocado como suspeito da Covid-19. O resultado do exame, porém, deu negativo. Segundo a coordenadora do Dsei Alto Juruá, a falta de ar foi provocada pela asma.

Entre os povos indígenas da Amazônia brasileira, já há quatro casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. Segundo a agência Amazônia Real, o primeiro teste positivo ocorreu no primeiro dia de abril. Trata-se de uma indígena de 20 anos da etnia Kokama, do Amazonas, que teve contato com um médico da Sesai que estava infectado. Ela é Agente Indígena de Saúde.De acordo com o jornal O Globo, outros três familiares dela também contraíram a a Covid-19.

No Acre, os povos indígenas decidiram ficar numa espécie de autoisolamento dentro de suas comunidades para evitar o contágio. As aldeias estão fechadas para a entrada de não-indígenas. A Funai também proibiu este acesso. A ordem das lideranças indígenas é que ninguém entra e ninguém sai até que a pandemia passe.


Leia também: Sesai executa plano de contingência para evitar chegada do coronavírus às aldeias do Acre 

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