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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Projeto concretizado

 Áreas protegidas alvos da bancada da motosserra estão no topo do ranking do fogo no Acre 



A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e o Parque Nacional da Serra do Divisor estão entre as unidades de conservação federais no Acre com maiores registros de queimadas no acumulado de 2020. É o que aponta o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Estas são, justamente, as duas áreas de proteção visadas pela bancada da motosserra liderada pela deputada federal Mara Rocha (PSDB) e o senador Márcio Bittar (MDB). 

Por meio do Projeto de Lei 6024, a bancada quer reduzir o tamanho da Resex Chico Mendes para beneficiar um pequeno grupo de moradores formado pelos maiores desmatadores, e reduzir a categoria da Serra do Divisor de parque para área de proteção ambiental (APA). 

Conforme o blog mostrou no primeiro semestre, a simples apresentação do projeto poderia acarretar em impactos imensuráveis para estas duas UC’s, em especial para a Serra do Divisor, onde está concentrada uma das mais ricas regiões de floresta e biodiversidade da Amazônia. Os dados do Inpe agora atestam a problemática, com o parque ocupando a terceira posição no ranking do fogo no Acre até o dia dez de setembro, com 70 focos detectados. 

A unidade, localizada no Vale do Juruá, registrava entre 1 de janeiro e ontem 70 focos de queimadas, ficando atrás apenas da Resex do Alto Juruá e da Resex Chico Mendes, que já há muito tempo ocupa a primeira posição nas análises de fogo e desmatamento. No acumulado de 2020 a Resex Chico Mendes tem 240 focos captados pelos satélites de monitoramento.  

Apesar de os números serem alarmantes, o que chama a atenção e preocupa é o crescimento do impacto da ação humana nas duas mais importantes áreas protegidas do Vale do Juruá: o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Resex Alto Juruá, que são vizinhas. Juntas, elas concentram 155 focos, ou 27,4% do total das queimadas observadas nas unidades de conservação federais do Acre. 

Os dados atestam a mudança dos impactos causados na devastação da Amazônia acreana de 2019 para cá, mostrando que nem mesmo áreas protegidas por lei passam incólumes por este processo. A “migração da destruição” é preocupante por ir para a região que mais concentra floresta em pé no Acre, e possuir uma das mais ricas biodiversidade do planeta. 

Outra ameaça para a região do Juruá e que aos poucos vai se concretizando em ações práticas é o projeto da construção de uma rodovia entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, cujos impactos nos dois lados da fronteira são inestimáveis. Essa semana o vice-governador do Acre, Major Rocha, irmão da deputada Mara Rocha, anunciou que ainda em 2020 o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) lança o edital de licitação para o projeto da rodovia internacional. O anúncio foi feito após reunião com um dos diretores do Dnit.   


Entenda mais sobre os efeitos do PL 6024, apresentado em novembro do ano passado pela deputada  Mara Rocha na Câmara dos Deputados.  


Vai ser uma destruição insana da natureza, diz secretário-geral da SOS Amazônia ao analisar impactos do PL 6024 no Juruá 

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